Projeto Mulah de Tróia, de B. B. Jenitez

Resenha por Mariane Matias

A história começa com Jenitez em cima de uma árvore, observando as sentinelas de um tiro de guerra. Ele passa a contar então o motivo de estar ali: depois de participar de um programa na televisão, recebe um telefonema de um tal Major e, depois de um primeiro encontro mal sucedido, passam a se encontrar com frequência e se tornam amigos. O Major é um historiador, especializado em civilização islâmica medieval com doutorado pelo MIT em física de partículas elementares, que foi contratado pela Força Aérea Brasileira para um projeto ultra-secreto o qual, a princípio, Jenitez desconhece do que se trata. Ele recebe então uma chave do Major e um envelope de seu criado, que deve ser aberto somente depois da sua morte. O envelope contém frases enigmáticas que são decifradas por Jenitez. A solução o leva aos Correios de Muzambinho – MG e lá usa a chave para abrir a caixa postal 23 que contém um drive com diários do Major.

A partir daí, os capítulos se seguem, onde cada um deles trata-se de uma trilha temporal diferente em um Multiverso Quântico de Everett, ou seja, em uma trilha Jenitez é um escritor famoso e rico, em outra é pobre mas conhece Cristina, em ainda outra tem quatro filhos. Ele explica então o motivo do surgimento dessas diferentes trilhas temporais: elas ocorrem devido ao Berço temporal, que funciona como uma máquina do tempo permitindo que ele volte ao passado, isso por causa do Major. O Major, tendo acesso ao Berço temporal por conta de participar da missão secreta, percebe que é perigoso que o mesmo pertença aos americanos e israelitas. Usando o paradoxo do avô, volta no tempo e leva consigo Sarah Connor, a primeira cientista a ter acesso ao conhecimento para viagens no tempo, deixando-na em Ur dos Caldeus, de modo que ela some daquela trilha temporal, impedindo que o Berço seja construído pelos americanos, tornando-se então posse exclusiva do Major.

Depois de tentar consertar os grandes erros da humanidade, o Major então se recolhe e esconde o Berço. Através dos manuscritos do Major, Jenitez passa a saber do Berço e consegue ter acesso a ele, evitando que neonazistas tomem posse do mesmo. Então sucedem-se as viagens temporais e extra-dimensionais de Jenitez e as consequentes trilhas temporais, cada qual com suas peculiaridades.

Inicialmente, o texto é bem confuso e não revela alguns pontos como, por exemplo, o que o Major quer deixar para Jenitez e o que está causando as trilhas temporais. O mistério torna tudo intrigante e deixa o leitor bem curioso. Mas conforme a leitura prossegue, o autor vai dando explicações importantes que dão sentido à história e que provocam surpresa pela criatividade e originalidade desta. A leitura é divertida, cheia de humor e flui bem. O texto também apresenta várias referências à elementos da ficção científica e da cultura pop, o que o deixa interessante e ao mesmo tempo leve. A narração é em primeira pessoa, permitindo ao leitor acompanhar as emoções e sentimentos das múltiplas personalidades da personagem juntamente com ele. O texto todo é bem provocante e mantém o leitor atento até o fim, devido a ousadia do autor que explorou diferentes gêneros literários, do non sense à ficção especulativa, do erótico à divulgação científica.

Esta entrada foi postada em Resenhas com as tags , , . Adicione ao favoritos permalink.

Uma resposta para Projeto Mulah de Tróia, de B. B. Jenitez

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *