Resenha: Estação Terra, de Odimer Nogueira, Chiado Editora (2015)

A biblioteca do CLFC, atualmente sediada no Laboratório de Divulgação Científica e Cientometria da FFCLRP-USP, adotou recentemente uma política para doações para seu acervo. Se um autor enviar dois exemplares de algum de seus títulos, um ficará no acervo e o outro será vendido em prol da tesouraria do CLFC. Ao fazer isso, Osame Kinouchi, mantenedor da biblioteca, se compromete a avaliar com cuidado a obra e escrever uma resenha, a ser colocada no site da revista SOMNIUM. Outros resenhadores do CLFC também podem ajudar nesse compromisso, como é o caso desta resenha por Mariane Matias.

capa_estao_terra_ebook

 Estação Terra

Odimer Nogueira – Chiado Editora (2015)

 Por Mariane Matias

Odimer Fernandes Nogueira nasceu em Terra Roxa, São Paulo, mas morou em Ribeirão Preto, onde cursou Biomedicina na Universidade Barão de Mauá e conheceu sua esposa. Mudou-se com sua família para Rio Verde, Goiás, onde exerce profissão de biomédico em sua empresa de laboratórios, e é também bacharel em Direito, ex-professor universitário e escritor.

Seu livro Estação Terra, publicado pela Chiado Editora, narra a história de um veterinário proprietário de uma pequena fazenda no município de Meriaqui, chamado Hermes. Ele mora na cidade e precisa percorrer uma estrada não movimentada para chegar lá. Numa noite, voltando para casa, Hermes vê uma luz branco-azulada muito forte num trecho da estrada. Curioso, ele resolve se aproximar e ver do que se trata. A luz vinha de uma esfera totalmente iluminada que flutuava. A esfera então desaparece sem deixar nenhum vestígio e Hermes segue seu caminho para a cidade. Ao chegar lá, Hermes se dirige ao posto de gasolina para abastecer como de costume, mas está fechado e dá-se conta de que já são 1h da manhã. O percurso de 30 min havia demorado mais de 3 horas. A esfera não torna a aparecer e 5 anos se passam até que algo estranho acontece novamente. Hermes está andando por sua fazenda quando flutua por poucos segundos e no momento em que seus pés voltam ao chão, torce o tornozelo.

Um dia, voltando pela estrada, o motor da sua caminhonete para. Ele desce para tentar resolver o problema, quando percebe atrás de si a mesma luz branco-azulada de anos atrás. Entretanto agora, ele tem a sensação de ter entrado na esfera, que seria uma nave com seres humanoides, e tudo começa a fazer sentido, como se seu subconsciente fosse lhe dizendo aos poucos o que estava acontecendo. Ele recebe uma mensagem, dizendo que chegaria à fazenda um jovem dessa outra raça e por isso deveria ficar uns dias por lá. Esse jovem, de nome Willson, teria vindo à Terra com a missão de contar a Hermes tudo sobre sua espécie para que este passe à humanidade em seu devido tempo. Willson vem do que seria para os terráqueos o futuro. Sua espécie humanoide vive em Marte, que eles chamam de Oasis, e foram criados pelos humanos e mandados pra lá. Os oasianos são pacíficos e buscam retomar o convívio com os humanos, por isso vêm estudando e observando-os desde então. Entretanto, eles não sabem o que levou os terráqueos a os exilarem em Marte e em busca de respostas, voltam ao passado, alterando-o quando necessário, para garantirem sua existência. Por isso Hermes é escolhido casualmente para a tarefa de divulgar para os humanos a existência dos oasianos, que foram criados secretamente.

Os oasianos possuem a pele esverdeada, olhos grandes e o formato da cabeça e do tronco como o de um triângulo invertido. Por que possuem essa aparência tão distinta dos humanos? O que nos levou a criar tais seres? Por que foram exilados em Marte? As respostas para essas e outras questões levantadas surgem conforme o texto caminha.

A leitura flui bem e o texto é descritivo na medida certa. Entretanto, a linguagem usada pelos oasianos é conjugada na segunda pessoa do plural, ou seja, aparecem elementos como vós e vosso na carta escrita por Willson destinada à humanidade, o que causa estranheza já que estes são pouco usados atualmente, inclusive quando surgiram os primeiros oasianos, em 1999. Todavia, isso pode ter sido empregado propositalmente pelo autor a fim de dar formalidade ao texto.

A trama toda é bem amarrada e o enredo é cheio de mistérios, prendendo leitor. O autor levanta questões sobre o que é o tempo e o presente, viagens no tempo, transgenia humana e outros, com muita criatividade e originalidade, sem perder o foco da história. É possível notar também todo o conteúdo científico que o texto traz devido à formação acadêmica do autor, que permite ideias bem fundamentadas e coerentes. Estação Terra é um ótimo livro pra quem procura aventura, suspense e ficção científica ao mesmo tempo!

Esta entrada foi postada em Resenhas com as tags , , , , . Adicione ao favoritos permalink.

2 Respostas para Resenha: Estação Terra, de Odimer Nogueira, Chiado Editora (2015)

  1. Fiquei com vontade de ler. Será que tem em EBook?

  2. Rodrigo diz:

    Ele mora na cidade e tá percorrendo “sua fazenda”? Afinal, ele mora na cidade ou na fazenda?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *