Resenha – Kaori: Perfume de Vampira, de Giulia Moon, por Daniel Borba

Antes de mais nada, quero dizer que Kaori (2009, Giz Editorial) é um livro fantástico.

Giulia Moon é uma autora já experiente e querida dentro do fandom, daquelas que a gente sabe que vai sempre escrever um livro bom. Mas Kaori supera qualquer expectativa. O livro é ótimo. Uma das minhas melhores leituras dos últimos tempos.

O livro é escrito de maneira muito inteligente. Há duas linhas narrativas simultâneas. Os capítulos vão se alternando, ora no passado, ora no presente, apresentando duas histórias  que, apesar de independentes, vão caminhando para um desfecho único, imperdível e simplesmente arrebatador.

A história no passado é a origem de Kaori. Começa no Japão feudal do século XVII, com a menina ainda criança, órfã de mãe e cobiçada por uma famosa cortesã da região. Vítima das circunstâncias, Kaori acaba transformada numa poderosa vampira, que não mede esforços para se vingar dos que a fizeram sofrer.

Através dos séculos, Kaori se torna uma assassina fria e cruel, mas continua guardando muito da meiguice que tinha quando era uma menina frágil e mortal. Isso a torna uma personagem fantástica, irresistível. É difícil não gostar dela, mas em determinado momento, a própria vampira avisa: “nunca confie em um vampiro.”

Paralelamente à história de Kaori, o leitor retorna ao século XXI e conhece Samuel Jouza (não é erro de digitação, o nome é esse mesmo), um vampwatcher, um sujeito que ganha a vida observando e catalogando vampiros para um tal de “Instituto Brasileiro de Estudo de Fenômenos Fantásticos” (IBEFF). O rapaz tem uma vida relativamente tranquila, até que topa com vampiros mais poderosos do que os de costume. E aí sua vida se complica.

O livro traz ainda outras figuras interessantes: a cortesã Missora, uma personagem odiosa, vilã daquelas “do mal” mesmo. Há o pintor e aventureiro José Calixto, um legítimo cavalheiro, que viaja do Brasil até o Japão no século XIX em busca de fortuna e se depara com um mundo diferente não só na cultura, mas cheio de monstros desconhecidos e assustadores; há também seu companheiro, o samurai Kodo, fiel em todos os momentos.

Nos dias de hoje, há o próprio IBEFF, uma organização misteriosa e cheia de recursos. Há a bióloga Beatriz, estudiosa dos famélicos, uma raça de animais que vive numa relação quase simbiótica com os vampiros. Há também o vampiro Takezo, um sujeito rico e misterioso, que parece ter uma dívida de honra com Kaori.

O livro começa muito bem e já segura o leitor logo no início. Os primeiros três ou quatro capítulos são de tirar o fôlego, dando uma prévia do que virá a seguir. É interessante mencionar que o livro não perde força em momento nenhum. As duas linhas narrativas são empolgantes. Há momentos tensos, assustadores e cheios de aventura. Temos vampiros bons, maus e alguns que extrapolam qualquer noção de maldade, sendo crueis de verdade.

Eu encontrei no livro pelo menos duas referências a um clássico da literatura japonesa: Musashi, um livro pelo qual sou apaixonado. Uma das referências é óbvia, a outra pode ter sido simplesmente imaginação minha. Mas o leitor vai ter que conferir no livro, porque se eu contar alguma coisa aqui, vou certamente estragar algumas surpresas.

Kaori é um livro excelente. Não é simplesmente um daqueles livros para “fãs do gênero”. E não se baseia na fama de Giulia Moon para fazer sucesso. É um livro que qualquer leitor vai apreciar.

Para concluir, cito as palavras da Martha Argel, outra conhecida autora especializada em vampiros: “Sensual e com um ritmo de tirar o fôlego, Kaori é irresistível. Ssem dúvida, um dos melhores livros de vampiros que já li (e não foram poucos).”

 

 

 

 

 

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